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UDL e Aquisição de Linguagem: Reduzindo barreiras à fluência

Luiz Henrique Carvalho, head de Design Educacional do Systemic
Luiz Henrique Carvalho, head de Design Educacional do Systemic

Conteúdo escrito por um Systemic Expert, que inaugura uma série de publicações elaboradas por especialistas convidados, que compartilham seus conhecimentos sobre inovação e ensino bilíngue.

O Design Universal para Aprendizagem (UDL) é uma abordagem inovadora para transformar o ensino, tornando-o mais inclusivo e acessível a todos os estudantes. Inspirado nos princípios do design universal da arquitetura e ancorado em descobertas da neurociência, o UDL visa garantir que cada aluno tenha oportunidades reais de aprendizagem, respeitando sua individualidade cognitiva, física e psicológica. 

Desde sua concepção pelo CAST em 2008, o UDL tem sido um modelo fundamental para repensar os currículos escolares. Seu foco está em eliminar barreiras que dificultam o aprendizado, oferecendo múltiplas formas de representação, engajamento e expressão.  

Ao inverter a pergunta tradicional de “por que meu aluno não aprendeu?” para "quais barreiras estão impedindo meu aluno de aprender?", os educadores são incentivados a criar ambientes de ensino mais flexíveis e eficazes. 

UDL e o ensino de línguas: desafios e soluções 

O ensino de idiomas é uma das áreas que mais se beneficia da aplicação dos princípios do UDL. Em um mundo globalizado, ser fluente em um idioma adicional abre portas para oportunidades profissionais, acadêmicas e culturais. No entanto, muitas abordagens tradicionais impõem barreiras ao aprendizado, tornando a fluência um desafio para muitos alunos. 

Imagine um estudante que nunca teve contato com o inglês e, em sua primeira aula, é exposto a uma estrutura fixa e repetitiva, como “Do you like...?”, sem um contexto significativo. Essa abordagem, amplamente utilizada, limita o envolvimento do aluno e dificulta a aquisição natural da língua. Em contraste, o UDL propõe um ensino mais dinâmico e centrado no aluno, onde a interação com o idioma ocorre de forma autêntica e contextualizada. 

Superando barreiras na aquisição de linguagem 

A divisão dos estudantes em níveis de proficiência pode ser um dos principais entraves para a fluência. Esse modelo restringe a interação entre alunos em diferentes estágios de aprendizado, impedindo a troca natural de experiências linguísticas.  

Além disso, a hierarquia artificial de ensino gramatical muitas vezes não reflete a realidade da aquisição de linguagem. Assim como bebês aprendem sua língua materna por meio da interação constante e da necessidade de comunicação, alunos de idiomas devem ser incentivados a utilizar a língua-alvo de maneira significativa desde o início. 

Aplicando o UDL no ensino de idiomas 

Para que a aquisição da linguagem seja mais eficaz, é essencial oferecer múltiplos meios de representação, engajamento e expressão, conforme os pilares do UDL: 

  • Representação: Uso de diferentes recursos, como vídeos, imagens, jogos e atividades interativas para apresentar o conteúdo de forma diversificada. 
  • Engajamento: Criação de contextos significativos para o uso do idioma, como projetos colaborativos e atividades baseadas em experiências pessoais dos alunos. 
  • Ação e expressão: Incentivo à produção linguística autêntica por meio de discussões, apresentações e atividades de escrita criativa. 

Um exemplo prático dessa abordagem é integrar o ensino de línguas a conteúdos interdisciplinares, como propõe a inovadora e bem-sucedida metodologia Systemic. Ao discutir diferentes habitats, por exemplo, os alunos podem aprender vocabulário relacionado ao tema enquanto compartilham experiências e refletem sobre questões ambientais.  

Esse tipo de abordagem reforça o aprendizado do idioma enquanto desenvolve habilidades cognitivas e socioemocionais. 

Tornando a aprendizagem mais universal 

A missão do UDL é garantir que todos os estudantes se tornem “experts” em seu processo de aprendizagem, desenvolvendo autonomia, motivação e autorregulação. No ensino de línguas, isso significa romper com métodos tradicionais que impõem barreiras e criar um ambiente onde os alunos tenham liberdade para se expressar, errar e crescer linguisticamente. 

Ao adotar estratégias inspiradas no UDL, os educadores podem transformar a experiência de aprendizado de idiomas, tornando-a mais acessível, significativa e eficaz. Dessa forma, mais alunos terão a oportunidade de se tornarem fluentes, não apenas em um idioma adicional, mas também na habilidade de aprender ao longo da vida. 

 

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